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CÉLULAS-TRONCO MESENQUIMAIS DE SANGUE DE CORDÃO NO TRATAMENTO DE ESCLEROSE MÚLTIPLA
24/11/2009
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A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença auto-imune, ou seja, anticorpos do paciente possuem atividade diretamente contra proteínas do seu próprio sistema nervoso central, sendo uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) em adultos jovens. Nos pacientes com esclerose múltipla, os anticorpos produzidos pelo organismo atacam a bainha de mielina, proteção do nervo, interferindo na transmissão dos impulsos nervosos e levando, freqüentemente, ao prejuízo da capacidade física motora e cognitiva. Embora a distribuição e a caracterização clínica da EM no Brasil ainda não sejam bem conhecidas, recentes estudos de prevalência nos municípios de São Paulo e Belo Horizonte revelaram taxas de 15/100.000 habitantes e 18/100.000 habitantes. Considerando que estes municípios possam refletir características étnicas e geográficas similares a toda região Sudeste do Brasil, a estimativa do número de pacientes portadores de EM vivendo nesta região do país supera o número absoluto de vários países europeus.
Muitas estratégias têm sido utilizadas para o controle dessa doença, entretanto, os resultados demonstram-se parciais ou não satisfatórios, tornando necessária a busca de novos tratamentos.
Com o advento da terapia celular utilizando células-tronco, surge uma possibilidade de cura ou melhora das condições de vida dos pacientes portadores de EM. Diversos estudos têm mostrado que as células-tronco mesenquimais, presentes na medula óssea e no sangue de cordão umbilical, têm um potencial para se diferenciar em muitas linhagens celulares, tais como a do tecido nervoso. Elas também são capazes de “escapar” do reconhecimento de células imunes específicas e, inclusive, inibir uma resposta imune, tornando-as promissoras no tratamento das doenças auto-imunes.
Um estudo realizado pela Northwestern University School of Medicine in Chicago sugeriu que transplantes de células-tronco autólogas da medula óssea podem controlar e, até mesmo, reverter os sintomas da esclerose múltipla. Segundo os pesquisadores nenhum dos 21 voluntários diagnosticados com a doença recidivaram durante 3 anos, e 80% dos pacientes melhoraram em, pelo menos, um ponto na escala de incapacidade neurológica (EIN).
A revista internacional especializada na doença, a Multiple Sclerosis, relatou este ano, um transplante de células-tronco mesenquimais de sangue de cordão umbilical em uma paciente que iniciou com sintomas da doença aos 55 anos de idade. A evolução da parestesia e fraqueza muscular foi rápida e em seis meses a paciente encontrava-se acamada, necessitando assistência hospitalar permanente. Iniciou o tratamento convencional com metilprednisolona e prednisona por dois meses, sem resposta. Oito meses após o início dos sintomas, foi realizado o transplante de células mesenquimais de sangue de cordão umbilical na dose de 10 milhões de células via intratecal, e 20 milhões de células via intravenosa. Não houve nenhum efeito colateral após o transplante. Três dias depois, apresentou melhora da sensibilidade. Nove dias após, houve melhora importante do ponto de vista motor, podendo a paciente sentar-se com auxílio. Após dois meses de acompanhamento, a paciente melhorou dois pontos na EIN, caminhando com auxílio, e cinco meses após, a paciente caminhava vagarosamente sem auxílio, apresentando melhora de 5.5 pontos na escala de incapacidade neurológica.
Liang e sua equipe escolheram as células-tronco de cordão porque elas compartilham muitas características das células-tronco derivadas da medula óssea e possuem algumas vantagens distintas tais como, alta proliferação, acessibilidade e baixo risco de contaminação viral.
Esses achados mostram que as células-tronco de sangue de cordão umbilical podem ser consideradas como uma terapia viável para pacientes com esclerose múltipla avançada, com uma incapacitação progressiva, que não respondem aos tratamentos convencionais.
Referências: Associação Brasileira de Esclerose Múltipla: http://www.abem.org.br/informacoes_em.html#oqueLana-
Peixoto MA. et. al. CONSENSO EXPANDIDO DO BCTRIMS PARA O TRATAMENTO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA. Arq. Neuro-Psiquiatr. v.60, n.3B, p. 881-86, 2002.
MacLean JH, Freedman NS. Multiple sclerosis: following clues from cause to cure. Lancet. Neurology v. 8, p. 6-8. 2009.
Liang J et. al. Allogeneic mesenchymal stem cells transplantation in treatment of multiple sclerosis. Multiple Sclerosis v. 15:, p. 644–46, 2009.
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