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CÉLULAS-TRONCO CULTIVADAS REGENERAM O MÚSCULO CARDÍACO APÓS INFARTO AGUDO
30/12/2009
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As doenças cardiovasculares são as que mais afetam a população mundial, seja na prevalência, na mortalidade ou no impacto econômico. Essas doenças afetam 1,1 milhões de americanos a cada ano, sendo que no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, ocorreram 72.000 óbitos devido ao infarto agudo do miocárdio entre 1997 e 2007, e a região sul contabilizou mais de 12.000 desses óbitos. O infarto agudo é um processo que pode levar à necrose de parte do músculo cardíaco por falta de aporte adequado de nutrientes e de oxigênio, causado pela redução do fluxo sangüíneo coronariano. Sabe-se que o corpo humano tem uma capacidade bastante limitada de regenerar a musculatura cardíaca e reparar lesões. Baseado nessas evidências e com o advento da terapia celular, surgem novos protocolos terapêuticos que visam à redução da alta taxa de mortalidade e do elevado custo com os tratamentos das doenças cardiovasculares. A terapia celular utilizada no tratamento de cardiopatias tem como base a capacidade de transdiferenciação das células-tronco adultas hematopoiéticas em células cardíacas, demonstrada pelos estudos pré-clínicos e pela recente descoberta dos mecanismos do reparo celular cardíaco.
Diversos estudos clínicos utilizando células-tronco adultas derivadas de medula óssea, do sangue periférico e do sangue de cordão umbilical estão em andamento com o propósito de contribuir com os achados dos experimentos pré-clínicos realizados para as doenças cardiovasculares. Como exemplo, foi demonstrado em um estudo clinico experimental de Fase I e publicado em dezembro de 2009 no Journal of the American College of Cardiology, em que os pacientes que sofreram ataques cardíacos agudos e subseqüentemente foram tratados com células-tronco mesenquimais adultas humanas, cultivadas em laboratório, apresentaram uma diminuição no número de arritmias, uma melhora, não apenas na função cardiopulmonar, mas em sua condição total. Nesses casos, as células-tronco foram coletadas do próprio paciente, separadas e então implantadas no local da lesão, gerando um transplante autólogo, o que evita a rejeição imune.
Mesmo que muitos dos mecanismos de atuação das células-tronco no reparo de lesões teciduais ainda não sejam bem compreendidos, os cientistas acreditam que as células-tronco adultas possuem capacidades antiinflamatórias e anti fibróticas, com a capacidade de regenerar os tecidos lesados, como vem sendo demonstrado em inúmeros estudos pré-clínicos em animais e vários estudos clínicos em humanos.
Diante deste contexto, as células-tronco do sangue de cordão umbilical, em comparação com às da medula óssea, apresentam uma grande vantagem que é uma fonte promissora de células para a terapia celular na área da cardiologia, por duas principais razões: apresentarem um maior potencial proliferativo e a coleta ser realizada de forma não-invasiva. Além disso, a possibilidade de criopreservação dessas células gera um produto disponível prontamente para o uso sempre que necessário.
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