| |
Referente a reportagem divulgada na revista Veja no dia 04 de novembro de 2009, edição 2137,
“Um estranho mercado”.
O HemoCord – Banco de células-tronco de sangue de cordão umbilical de Porto Alegre, o primeiro banco de sangue de cordão umbilical do sul do país, vem através desta nota, prestar esclarecimentos sobre a importância do armazenamento do sangue de cordão umbilical.
ESCLARECIMENTOS PRINCIPAIS:
• Pela legislação atual, as amostras estocadas em bancos privados somente poderão ser usadas pelo próprio indivíduo, porém estas amostras poderão ser utilizadas para familiares, se houver compatibilidade, mediante autorização judicial, como já aconteceu em alguns casos no Brasil, e como acontece normalmente em outros países. Em sendo assim, todos os tipos de doenças que possuem indicação de uso de células-tronco, doenças hematológicas de origem genética ou adquiridas, além de tumores sólidos poderão ser tratadas com amostras provenientes de bancos privados. 95% dos transplantes realizados no mundo, provenientes de bancos privados, foram realizados em familiares 1,2.
• A informação de que o uso autólogo (célula do paciente para o próprio paciente), para leucemia não é possível, não corresponde a verdade, pois diferente de estudos experimentais em laboratório, ao qual os biólogos estão habituados, a medicina não é uma ciência exata, e muitos transplantes autólogos são realizados, não com a intenção de tratamento definitivo, mas sim, com a intenção de ganhar tempo para pacientes sem doador compatível. A literatura científica é unânime em comprovar esta opção terapêutica como de melhor prognóstico, do que apenas a quimioterapia e/ou radioterapia isolados 3. Entre 1996 e 2001, foram realizados 2000 transplantes autólogos para leucemia mielóide aguda (international bone marrow transplantation registry).
• No ano de 2007 foi publicado na renomada revista científica The New England Journal of Medicine, um caso de leucemia linfocítica aguda, onde foi realizado transplante autólogo de sangue de cordão umbilical. O caso vem sendo acompanhado para ver se haverá recidiva ou cura da doença 4. Na data da publicação, a paciente tinha 3 anos de idade e encontrava-se em remissão há 20 meses. Em contato recente com o medico assistente da mesma, Dr. Ammar Hayani, este informou que hoje ela completa 5 anos de remissão da doença, e com testes de sangue normais.
Muitos fatores contribuem para o desenvolvimento do câncer, e apenas uma delas é a predisposição genética. A chave que determina o que “liga” ou mantém “desligado” este “botão” é objeto de estudo de grandes pesquisadores. Desta forma, mesmo que um indivíduo que desenvolveu leucemia, receba um transplante de suas próprias células do cordão umbilical, não há como afirmar se este será submetido aos mesmos estímulos que fizeram “ligar o botão”. Em outras palavras, não há como NINGUÉM afirmar, que este indivíduo desenvolverá novamente a doença, pois as células foram coletadas no nascimento, “quando o botão estava desligado”.
• IGUALMENTE IMPORTANTE É A INFORMAÇÃO PARA CLIENTES DE BANCOS PRIVADOS, comprovada pela equipe francesa, pioneira no transplante de sangue de cordão umbilical (Dra. Eliane Gluckman), que a sobrevida após o transplante é dobrada, caso o doador tenha algum grau de parentesco, quando comparado a uma amostra igualmente compatível, que seja proveniente de um banco público 5.
Estranhamente, esta informação não é veiculada em reportagens.
• Além de o uso das células-tronco do sangue de cordão ser comprovadamente seguro e poder ser usado para todas as doenças em que a medula óssea seria indicada, este mostrou um potencial regenerativo ainda melhor que as próprias células da medula óssea, demonstrado pelo numero dez vezes menor de células necessário para repovoar toda a medula óssea de um adulto após a quimioterapia, comparado ao transplante de medula, e ainda com menor taxa de complicações. Esta demonstração levou a comprovação da viabilidade de transplante de sangue de cordão em adultos, pois a quantidade de células-tronco de cordão necessárias é menor do que de medula óssea, contrariando a citação na matéria: “o volume de células-tronco disponível no sangue de um cordão umbilical é suficiente para o tratamento de pessoas com no máximo 50 quilos” 6,7,8,9.
As considerações realizadas acima, por si só, já justificam o armazenamento do sangue de cordão umbilical
• Quanto aos comentários:
“Não bastasse a pequena quantidade de mesenquimais, nem todo cordão umbilical contém esse tipo de célula-tronco” e “As pesquisas científicas mostraram que elas têm o poder de se transformar somente em células sanguíneas”: Lamentavelmente, os comentários estão equivocados e talvez baseados, exclusivamente, na experiência de um pesquisador específico, sem levar em conta as inúmeras pesquisas científicas nacionais e internacionais comprovando o contrário 10, 11, 12,13.
Diversos estudos clínicos estão em andamento com as células-tronco adultas de medula óssea e de sangue de cordão umbilical com transplantes autólogos para os tratamentos de diversas doenças auto-imunes como esclerose múltipla, lupus eritematoso sistêmico, esclerose lateral amiotrófica, esclerose sistêmica, diabetes tipo 1, doenças cardíacas e doenças neurológicas degenerativas 14,15,16.
• Há especial interesse dos pesquisadores no sangue de cordão umbilical, pois as células-tronco presentes neste vem demostrando melhor poder de regeneração e resultados preliminares animadores. O HemoCord faz questão de contribuir para estas pesquisas em parceria com o Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC/RS, onde estudos estão sendo feitos com hipóxia neonatal e sangue de cordão umbilical, sob o comando do renomado neurologista, Prof. Dr. Jaderson Costa da Costa.
• Todo o material de divulgação dos bancos de sangue de cordão umbilical privados é supervisionado pela divisão do Ministério da Saúde de propaganda médica, (GPROP/ANVISA) 17. O HemoCord tem especial preocupação com a disseminação ética e responsável das informações na área da saúde, pois seu núcleo diretor é composto por médicos e outros profissionais da saúde que lidam no dia-a-dia com esta responsabilidade. Todas as informações divulgadas pela nossa empresa são cientificamente embasadas, sempre apresentando as referências bibliográficas das informações emitidas. As abordagens de marketing referidas na reportagem, além de permitidas em uma civilização democrática e competitiva, são exposições para que o indivíduo faça a opção que melhor entender para a sua família sem informações tendenciosas e com interesses econômicos e políticos, o que deveria ser o papel exercido pelo jornalismo. O momento da gravidez não é um momento de fragilidade maior ou menor do que qualquer momento em nossas vidas a partir do momento em que temos filhos e pensamos no seu bem estar. A partir da gravidez, iniciamos sim, um processo de altruísmo proveniente tanto da mãe quanto do pai, não classificando a gravidez em si, um momento de fragilidade.
• Entendemos sim, como profissionais da saúde que somos, constrangedor, e ainda ANTIÉTICO, o movimento político promovido e divulgado amplamente em rede nacional, “CURA OU LIXO” 18 para que ocorresse a aprovação da lei de biossegurança para utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas no Brasil. Utilizar-se de pessoas com doenças degenerativas crônicas, em cadeiras de rodas a invadir a câmara de deputados, além de fazer com que estas pessoas doentes e a população leiga acreditassem que a “cura” destas doenças dependeria do uso de células-tronco embrionárias, ultrapassa em muito o limite de respeito humano e da dignidade.
Vale ressaltar, que as pesquisas com células-tronco embrionárias estão muito aquém das pesquisas com as células-tronco adultas (presentes na medula e sangue de cordão umbilical), que além de serem comprovadamente seguras, estas sim, têm mostrado resultados bons em pacientes e estão muito mais próximas de contribuírem para a medicina regenerativa. Um motivo é devido ao desconhecimento de vários fatores que regulam a proliferação e diferenciação das embrionárias tornando-as, assim, inseguras para uso humano.
• Entendemos sim, como profissionais da saúde que somos, como ANTIÉTICO e ainda, INCONSTITUCIONAL, induzir a culpa na população por não doar o sangue de cordão umbilical de seus filhos, da mesma forma como não pode ser induzida de qualquer forma, a doação de órgãos ou a doação de sangue. Um indivíduo pode ser doador de sangue e/ou doador de órgãos, porém não sentir-se a vontade para doar o sangue de cordão de seu filho, já que o mesmo não tem como tomar a decisão por si mesmo.
A doação do sangue do cordão umbilical deve ser apoiada, e sempre o será pelo HemoCord, sempre que a decisão for espontânea e após a informação completa aos pais. A orientação de como é possível doar o sangue ao BrasilCord, é fornecida pelo HemoCord sempre que solicitada (referimos esta informação no folder institucional).
Vale ressaltar que no ano de 2005, o HemoCord ofereceu sua estrutura de coletadores e de armazenamento ao BRASILCORD, rede pública de armazenamento de cordão umbilical, para que fosse possível a doação no Rio Grande do Sul, já que nosso estado espera há 5 anos por esta oportunidade, e a autorização não nos foi concedida, com a justificativa de que “Bancos Privados não podem participar do BRASILCORD”. A parceria público-privado é uma tendência mundial.
Hoje, se uma família gaúcha deseja doar o sangue de cordão de seu filho, deverá viajar ao estado mais próximo, internar-se no hospital onde a equipe do BrasilCord atua, e assim, realizar a doação, sendo que os custos de viagem e internação são por conta da família. Os próprios habitantes do estado utilitários do Sistema Único de Saúde, que desejam doar o sangue de cordão, encontram dificuldades econômicas para tal, pois o hospital não é necessariamente um hospital que atenda a rede publica.
• Entendemos que os bancos públicos e privados não competem entre si. Segundo relatos do Dr. Luiz Fernando Bouzas, médico e diretor do centro de medula óssea do INCA., a necessidade de amostras necessárias para a auto-suficiência dos bancos públicos no Brasil é de 40 MIL amostras, sendo que ocorrem 2,7 MILHÕES de partos ao ano no país, segundo dados do IBGE de 2007.
As duas instituições são complementares para a sociedade, já que preenchem as lacunas para os diferentes interesses de cada família.
O HemoCord estará sempre em defesa da ética e da ciência com responsabilidade em busca de sua missão :
“PRESERVAR PARA PROMOVER A QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DA MEDICINA REGENERATIVA”
HemoCord – Banco de Sangue de Cordão Umbilical
Karolyn Sassi Ogliari
CREMERS 22676
Diretora Geral
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Gluckman E, Rocha V, Boyer-Chammard A, Locatelli F, Arcese W, Pasquini R, et al. Outcome of cord-blood transplantation from related and unrelated donors. N Engl J Med 1997;337:373-81.
2. Franz Verter. Medical pros and cons to banking umbilical cord blood. Avaiable at www.parentsguidecordblood.com.
3. Kammar Godder, Mary Eapen, Joseph H Laver, Mei-Jie Zhang, Bruce M Camitta, Alan S Wayne, Robert Peter Gale, John J Dyle, Lolie C Yu, Allen R Chen, James H Garvin Jr, Eric S Sandler, Andrew M Yeager, John R Edwards, and Mary M Horowitz. Autologous hematopoietic stem-cell transplantation for children with acute myeloid leukemia in first or second complete remission: a prognostic factor analysis. J Clin Oncol 2004;22:3798-3804.
4. Hayani A, Lampeter E, Viswanatha D, Morgan D, Salvi SN. First reporto f autologous cord blood transplantation in the treatment of a child with leukemia. Pediatrics 2007; 119 (1):e296-300
5. Gluckman E, Rocha V, Boyer-Chamard A, Locatelli F, Arcese W, Pasquini R, Ortega J, Souillet G, Ferreira E, Laporte JP, Fernandez M, Chastang C. Outcome of cord-blood transplantation from related and unrelated donors. Eurocord Transplant Group and the European Blood and Marrow Transplantation Group. N Engl J Méd 1997; 7:337(6):373-81
6. Rocha V, Labopin M, Sanz G, Arcese W, Schwerdtfeger R, Bosi A, Jacobsen N, Ruutu T, de Lima M, Finke J, Frassoni F, Gluckman E; Acute Leukemia Working Party of European Blood and Marrow Transplant Group; Eurocord-Netcord Registry. Transplants of umbilical-cord blood or bone marrow from unrelated donors in adults with acute leukemia. N Engl J Méd 2004 Nov 25;351(22):2276-85.
7. Bandini G, Bonifazi F, Stanzani M. Umbilical-cord blood for transplantation in adults. N Engl J Med. 2005 Mar 3;352(9):935-7
8. Sanz MA. Cord-blood transplantation in patients with leukemia--a real alternative for adults. N Engl J Med. 2004 Nov 25;351(22):2328-30
9. Laughlin MJ, Eapen M, Rubinstein P, Wagner JE, Zhang MJ, Champlin RE, Stevens C, Barker JN, Gale RP, Lazarus HM, Marks DI, van Rood JJ, Scaradavou A, Horowitz MM. Outcomes after transplantation of cord blood or bone marrow from unrelated donors in adults with leukemia. N Engl J Med. 2004 Nov 25;351(22):2265-75.
10. Bieback K, Kern S, Kluter H, Eichler H. Critical parameters for the isolation of mesenchymal stem cells from umbilical cord blood. Stem Cells. 2004;22(4):625-34.
11. Lee MW, Yang MS, Park JS, Kim HC, Kim YJ, Choi J. Isolation of mesenchymal stem cells from cryopreserved human umbilical cord blood. Int J Hematol. 2005 Feb;81(2):126-30
12. Bieback K, Klüter H. Mesenchymal stromal cells from umbilical cord blood. Curr Stem Cell Res Ther. 2007 Dec;2(4):310-23.
13. Majore I, Moretti P, Hass R, Kasper C. Identification of subpopulations in mesenchymal stem cell-like cultures from human umbilical cord. Cell Commun Signal. 2009 Mar 20;7:6.
14. http://clinicaltrials.gov/ct/show/NCT00305344?order=1
15. Voltarelli, J. et al . Autologous Nonmyeloablative Hematopoietic. Stem Cell Transplantation in Newly Diagnosed Type 1 Diabetes Mellitus. JAMA. 2007;297:1568-1576.
16. Rosa,S.B. et al. The use of stem cells for the treatment of autoimmune diseases. Braz J Med Biol Res,2007. ISSN 0100-879X. In press
17. RDC 153 – 04 de junho de 2004. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
18. http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ENTREVISTA&id=ent0028
|